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Tradição do congo marca homenagens a Nossa Senhora da Penha em Vila Velha e Cariacica

Depois de dois anos sem serem realizados por causa da pandemia, o Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D'Água, em Cariacica, e a Romaria dos Conguistas, em Vila Velha, voltaram a acontecer com homenagens das tradicionais bandas de congo a Nossa Senhora da Penha.

Uma das bandas de congo durante a romaria no Convento da Penha. (FOTO: Moacir Beggo)
Foi com uma animação com clima de reencontro que aconteceu a programação especial em Cariacica. Centenas de pessoas participaram dos festejos da tradicional folia cariaciquense, que aconteceram na localidade da zona rural, nesta segunda-feira (25), Dia de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo.

Dezenas de mascarados, vestidos como João Bananeira, fizeram a alegria dos visitantes, que posavam para as fotos ao lado do personagem folclórico, que tem o rosto coberto pela máscara e o corpo tapado com folhas de bananeira.

"Não há nada como sentir o calor humano, a vibração dos instrumentos, os cantos tradicionais e as pessoas festejando esse momento tão lindo, histórico e marcante para o município", disse a secretária de Cultura e Economia Criativa de Cariacica, Nina Santos, que também dançou ao som das bandas.

A festa contou com presenças das bandas de congo locais São Benedito de Piranema, Santa Izabel, São Benedito de Boa Vista, Unidos de Boa Vista, Mestre Tagibe, São Sebastião de Taquaruçu e Apae Cariacica, além da banda mirim do Mestre Tagibe e bandas de outros municípios da Grande Vitória.

O cantor Amaro Lima, que integrou a banda Manimal - que cantava o "rockcongo" e utilizava instrumentos do congo - juntamente com o irmão Alexandre Lima, marcou presença em Roda D'Água e se apresentou no evento. "Foi daqueles dias em que, pra mim, foi muito mais que um show. Foi uma experiência mágica, algo que vou guardar pra sempre na minha vida. Uma honra participar do carnaval de Congo de Roda D'Água que, depois dos anos parados pela pandemia, voltou a acontecer. Ver as bandas de perto, o João Bananeira circulando pelo campo", destaca Amaro Lima.

"Realizar o Carnaval de Congo de Máscaras após dois anos sem a festa presencial é a oportunidade de dar visibilidade a essa tradição centenária que faz parte do contexto histórico-cultural do povo cariaciquense", avalia o presidente da Associação de Bandas de Congo de Cariacica (ABCC), Jefferson de Azevedo Fernandes.

A festa do congo contou com vários estandes com venda de alimentos para a população, oficina de confecção de máscaras do João Bananeira e exposições da Casa Sol - Economia Solidária Local e da Associação dos Produtores de Artesanato de Cariacica (Aproac).

Conguistas levaram o mastro até o Campinho do Convento. (FOTO: Moacir Beggo)
Romaria na Festa da Penha
No coração da Mãe de Deus, a Virgem das Alegrias, há espaço para todos. No último dia da Festa da Penha, as bandas de congo do Estado subiram logo cedo a ladeira do Convento da Penha, em Vila Velha, ao som dos tambores, casaca, reco-reco, para prestar sua homenagem à Padroeira do Espírito Santo. 

Como diz a letra que é considerada o hino do congo: "Menina que vai na frente / carrega sua bandeira / é pra santa milagrosa / é a nossa padroeira". Frei Paulo César Ferreira acolheu e agradeceu as bandas de congo por esta demonstração de alegria e fé.

Frei Paulo deu a bênção nos estandartes e instrumentos do congo, além do mastro que será fincado no início da Ladeira da Penitência na Prainha. Segundo o frade, o povo que guarda sua memória, sua tradição, guarda também os valores do espírito, da fé.


O congo é arte, é expressão da cultura do Brasil, acrescentou Frei Paulo, enfatizando o amor profundo das bandas de congo no Espírito Santo pela Mãe dos Capixabas, a Nossa Senhora das Alegrias.

Conjunto musical típico das regiões litorâneas do Espírito Santo, a banda de congo toca e canta principalmente em festas religiosas, como as de São Benedito, São Pedro, São Sebastião e Nossa Senhora da Penha. No passado era a forma que os escravos encontravam para homenagear seus santos de devoção, já que eles não podiam participar das festas oficiais da Igreja Católica.

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