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As músicas de "Nocturnal Geometries", álbum de Andrey Gonçalves

O contrabaixista e compositor capixaba Andrey Gonçalves explica o conceito e o título das sete faixas que compõem o CD Nocturnal Geometries, lançado pelo artista nos Estados Unidos. 

O trabalho é composto pelas músicas Quadrad, This is Not a Blues, Anna and the Moon, Waterfall for a Cubist Passion, The Tree of All Inventions, Ocatonic Lullaby e Mancada.

Andrey explica o título e o conceito de cada faixa do CD. (FOTO: Jeff Janczewski)
Sinopse das faixas
Quadrad: "O nome vem de uma técnica que eu utilizei pra compor. Você coloca quatro dedos posicionados aleatoriamente no piano e a partir dessas notas constrói-se uma escala sintética com modos e acordes. Quadrad começou como uma salsa, mas migrou para o que foi gravado".

This is Not a Blues: "Meu professor me pediu pra compor uma música usando a pentatônica blues, mas a música não poderia ser um blues. Num fim de semana, fui visitar a tia da minha esposa em Crestwood, Kentucky. O local é paradisíaco, todo rodeado por mato e vida selvagem. Sentei-me na varanda da casa e comecei a esboçar umas ideias. Com 20 minutos a música estava pronta. Em 2018, quando estava fazendo uma temporada com um pianista em Ouro Preto, mostrei a composição e o cara leu e comentou 'Nossa, isso soa muito como Art Blakey'. Acabei arranjando na estética do Art Blakey. Essa é a música mais 'jazz tradicional' do disco".

Anna and the Moon: "Essa faixa a única que tem uma história longa a respeito dela. Também utilizou a técnica 'quadrad', mas simplifiquei bastante na concepção de melodia e harmonia porque queria uma balada mais melancólica. Usei essa faixa para homenagear uma enfermeira chamada Luanna. Em dezembro de 2018, fui visitar minha família no Brasil com minha esposa. Estava atravessando uma rua de Vitória com minha esposa e uma moto me atropelou. Fui parar na UTI com traumatismo craniano... foi foda. A minha sorte é que uma enfermeira estava passando na hora do acidente e me socorreu, chamou a ambulância. O nome dela é Luanna, nunca a vi, não sei como é o rosto dela... só sei que ela existe porque minha esposa me conta dela. Estou vivo por causa dela. O nome da música é uma 'brincadeira' com o nome dela: Lua e Anna. Aí fiz de uma forma que fizesse sentido em inglês. O título também é um palíndromo, com palavras com quatro e três letras - Anna (4), and (3), the (3), Moon (4). Anna e Moon também repetem a letra do meio (nn - oo). Anna também é um palíndromo".

Waterfall for a Cubist Passion: "Fiz essa música inspirada por uma pintura do Picasso que vi no Guggenheim de Nova Iorque em 2012. A pintura não representava uma fase clássica do Picasso, mas me marcou muito. Compus tudo como se fosse uma história de uma paixão, usando a técnica de through-composed (onde as seções da música raramente se repetem e seguem para uma nova parte). Essa música já estava arranjada para octeto há anos, mas adaptei para o disco. É a faixa que obtém mais comentários positivos do público".


The Tree of All Inventions: "Fiz essa música baseada numa ilustração que explica a riqueza da cultura brasileira. A ilustração é um totem com elementos que são muito peculiares à nossa cultura. A música em não tem nada de brasileira porque eu não queria soar tão óbvio. Preferi a inspiração para compor e, na hora da gravação, sugeri ao baterista que incluísse elementos da ciranda brasileira".

Ocatonic Lullaby: "Eu tive que compor uma música usando a escala octatônica, uma escala simétrica de oito notas, às vezes organizada em meio tom e tom... ou tom e meio tom, o que confere um bem angular, duro. Peguei uma das formas de organização e fui analisando até quebrar o padrão e compor uma canção de ninar. Acho que compus essa música em uma hora. Quando acabei de compor, tive uma sensação muito forte, liguei pra minha esposa e comentei 'acabei de compor a canção de ninar pro nosso primeiro filho'. Sophia só nasceu em 2021, mas ela acompanhou o processo de mix e máster do disco dentro da barriga da barriga da mãe".

Mancada: "Sambinha duro pra fechar o disco porque eu sou brasileiro e queria pelo menos ter uma faixa que fosse mais um 'lugar comum' pra mim. Mancada foi composta usando fragmentos de frases e com a ideia de deixar bastante espaço pra bateria solar. Além da intro, que é bem chata de tocar, o 'refrão' de Mancada tem uma modulação métrica entre 2/4 e 6/8 que entorta a cabeça de quem tenta tocar. Essa foi a única música que tivemos que repassar na gravação porque geral mandou mal na primeira passada... portanto, rolou a maior mancada no estúdio... rs".

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