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Linha do tempo da Chocolates Garoto

Nem sempre foi doce o sonho do alemão Henrique Meyerfreund, fundador da Chocolates Garoto. Para conhecer melhor a história da empresa, que nesta segunda-feira (16), completa 92 anos, acompanhe a cronologia abaixo. São detalhes da história da Garoto em uma verdadeira linha do tempo.

A fábrica da Chocolates Garoto, em registro sem data definida. (FOTO: Divulgação/Biblioteca IBGE)
1901 - Nasce na região da Westfália, Alemanha, Henrique Meyerfreund, filho de agricultores que cultivavam beterraba e que se tornaram produtores e fornecedores de melaço.

1921 - Após concluir o curso secundário e vendo o seu país economicamente desorganizado em consequência da Primeira Guerra (de 1914 a 1918), Henrique resolve imigrar para o Brasil, como tantos europeus no início do século XX.
Na viagem, Henrique conhece um agrimensor francês que trabalhava no norte do estado do Espírito Santo, na região de Pancas. O jovem começa trabalhando como auxiliar do francês na mesma região, onde contrai o impaludismo (tipo de malária). Com o agravamento da doença, Henrique deixa de trabalhar e é enviado para a Santa Casa de Misericórdia, em Vitória.

1922 - Nesse tempo, chega ao conhecimento do Sr. Wilhelm Meyer, também imigrante alemão e dono da Torrefação Teutonia, montada numa chácara localizada em Caratoíra, Vitória, que um jovem compatriota está seriamente enfermo na Santa Casa. Meyer apieda-se do seu estado e resolve ajudá-lo acolhendo-o numa dependência de sua chácara, onde o enfermo é cuidadosamente assistido pela família, em especial pela senhora Wilhelmine (conhecida na forma aportuguesada como Guilhermina). Nesse período, Henrique conhece a jovem Jeannette, filha de Meyer, com quem iria casar-se.
Restabelecido, Henrique trabalha na torrefação do amigo Meyer. É quando descobre que na região só existe a pequena Fábrica de Balas Central, de Inácio Hygino.

1925 - Meyer e Henrique planejam trabalhar juntos no promissor ramo das balas doces. Com esse objetivo, compram algumas máquinas usadas na Alemanha. Devido a algumas divergências, a sociedade entre ambos não foi firmada e, após entendimentos, Henrique assume os equipamentos, ficando preservada a amizade.

1927 - As primeiras balas de Henrique foram feitas em Jucutuquara, na rua Paulino Muller, antiga Quinze de Novembro. Pouco depois, Henrique viaja para a Alemanha onde adquire melhores conhecimentos sobre a fabricação de balas doces.

Henrique Meyerfreund com um tabuleiro de balas, em 1929. (FOTO: Divulgação/CDM/Garoto)
1929 - De volta da Alemanha, Henrique arrenda e adapta um velho galpão da rua São Bento, nº 7, hoje, rua Bernardo Schneider, na Prainha, onde começa no dia 16 de agosto, a manufatura de balas de açúcar, produção inicial da Garoto.
Nos primeiros anos da década de 30, as balas Garoto são vendidas por meninos que as exibem em tabuleiros de madeira nos pontos de bonde. Em consequência da boa aceitação, as balas passam a ser vendidas também em casas comerciais e nas colônias do interior do ES.

1932 - No dia 5 de agosto, nasce em Vila Velha Ferdinand Meyerfreund conhecido por Fernando, filho de Henrique e Jeannette.

1933 - No dia 10 de outubro, é registrada a marca Garoto no Departamento Nacional de Propriedade Industrial, com a logomarca tendo o tradicional garoto vendedor de balas, criada por Eugen Sebastian Heimbeck, sogro de Ferdinand Meyerfreund.


1934 - Henrique recebe de seus pais uma herança que é trazida da Alemanha em forma de máquinas usadas para a produção de chocolate. Todavia, o equipamento fica retido na alfândega, porque os impostos de importação são altos demais para as posses de Henrique. Para resolver esse impasse, Henrique conta com a ajuda de Eugênio Pacheco de Queiroz, que na época mantinha bom relacionamento com o governo estadual, em especial com o secretário da Agricultura, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, a quem apresenta uma solução para socorrer a fábrica. A solução chega quase dois anos depois, com a isenção da taxa imposta.

1934 - Lançamento da pastilha de hortelã.


1935 - No dia 5 de outubro, nasce em Vila Velha, Helmut Meyerfreund, filho de Henrique e Jeannette.

1936 - Henrique transfere a fábrica para a Glória, com a ajuda de Eugênio Queiróz, que intercede junto ao governador Punaro Bley na cessão do antigo prédio onde funcionara a fábrica de artefatos para a construção civil, e que estava desativada. A área é vendida a Henrique por um preço simbólico. Assim, a empresa inicia a fabricação de bombons utilizando o cacau da região norte do Estado.


1940 - Eugênio Pacheco de Queiróz é escolhido para assumir a Prefeitura de Vila Velha.

1942 - Segunda Guerra Mundial: O governo brasileiro lutava contra os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e houve um quebra-quebra promovendo destruição de patrimônio dos imigrantes alemães e italianos.
Henrique e seus familiares são alojados no presídio da polícia de Vitória, em Maruípe. A torrefação Teutonia é destruída, fato que contribui para a morte de Meyer por derrame cerebral. Nessa ocasião, o prefeito Eugênio de Queiróz, em atitude de coragem, insta junto ao Interventor Punaro Bley para que o comandante do 3º Batalhão de Caçadores proteja a fábrica de bombons Garoto, por tudo que ela representa para o Estado, para o município e para as famílias que dependem dela. O pedido é imediatamente atendido e a fábrica é guardada por uma companhia de cerca de 200 soldados do exército.
Após o Segunda Guerra, Henrique adquire máquinas novas da Inglaterra que modernizam todo o seu processo fabril.

1949 - Lançamento do bombom Serenata de Amor.

Década de 1960 - Surge o balcão da fábrica, que viria a se tornar a Loja da Garoto.

1962 - A H. Meyerfreund & Cia se torna Chocolates Garoto S/A, transformando-se em uma sociedade anônima de capital fechado. O filho Helmut Meyerfreund retorna da Alemanha, onde estudou Engenharia Mecânica.


1964 - A Garoto inaugura o primeiro depósito de vendas em São Paulo, expandindo o mercado pelo Brasil.

1972 - A empresa vende produtos para o exterior pela primeira vez. Eram produtos semiacabados - a manteiga e a torta de cacau.

1973 - Morre Henrique Meyerfreund. A presidência da empresa é entregue ao filho Helmut.

1976 - É lançado o chocolate Batom.

1977 - Montagem da primeira equipe de marketing da Garoto.

Década de 1990 - Investindo continuamente em tecnologia, nesse período foram lançados novos produtos e consolidada a estrutura comercial.

2002 - A Chocolates Garoto é vendida ao grupo Nestlé, em meio às sucessivas crises internas entre os sócios.

2013 - O suíço Liberato Milo assume a direção geral da Chocolates Garoto.

2016 - O processo de aquisição perdura a cerca de quinze anos, até o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)  elaborar algumas orientações para aceitar o negócio, por acreditar-se tratar de intensa de concentração de mercado e por isso colocar em risco a livre concorrência. Com a compra, a Nestlé detém atualmente cerca de 60% do montante dos chocolates do país.

2018 - Morre Helmut Meyerfreund em 20 de julho, aos 82 anos. O empresário sofria de Alzheimer e morreu em São Paulo.

2021 - O chileno Patricio Torres assume o comando da Garoto.

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