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Dia do Compositor Brasileiro: artistas do ES falam de inspirações e da importância da data

O Dia do Compositor Brasileiro é celebrado nesta quinta-feira (7). A data lembra das pessoas que criam músicas, seja a letra ou a sua melodia e é uma homenagem aos artistas que exercem essa importante função para a música nacional.

No Espírito Santo, são muitos os artistas que se destacam com suas composições. Entre eles estão Victor Pooh, Gabriela Terra e Camila Gabriel.

O rapper e poeta Victor Pooh em momento de concentração para compor. (FOTO: Divulgação)
O rapper e poeta Victor Pooh, conta que o que te inspira a compor é o sentimento de necessidade de levar às pessoas palavras que façam com que elas possam compreender de uma forma diferente o cotidiano no qual se está inserido. O artista, que mora no bairro Primeiro de Maio, em Vila Velha, local considerado periférico, diz que se inspira nos moradores que vivem neste ambiente de violência para compor.

"Hoje eu moro em uma favela e vejo um cotidiano extremamente violento. Vejo guerras e mais guerras e sinto que essas pessoas precisam de palavras, precisam ter alguém como base para seguir e para ouvir, então a minha maior inspiração na hora de compor é realmente a molecada que tá crescendo em favela que tá crescendo no meio da violência", conta.

Victor destaca que com isso, objetiva mostrar aos jovens que não há só uma maneira de vencer na vida e que não é só no crime que se vence na vida.

Camila Gabriel, que canta e compõe músicas sertanejas, diz que se inspira em sentimentos e opiniões. "O que me inspira é a vida com tudo o que ela tem de encantador e, ao mesmo tempo, desafiador, misterioso. Compor é mais um dos meios que tenho de expressar meus sentimentos e opiniões, praticar minha arte. Com o tempo tornou-se uma necessidade, minha missão de vida".

A multi-instrumentista do My Magical Glowing Lens e produtora musical, Gabriela Terra, se inspira nos mais diversos momentos da vida. "Muita coisa me inspira. O fim de um fim de relacionamento, um sonho, um passeio, uma viagem, a natureza, conhecer uma pessoa, uma pessoa que eu não conheço mas me inspira. Já compus uma música para uma pessoa que eu não conheço mas me inspira. A sensação que você sente quando está na natureza. Uma vez eu estava no metrô de São Paulo, na Avenida Paulista, que é a maior que tem. Eu comecei a ouvir uma orquestra. O vento bateu nas estruturas da estação de metrô e comecei a ouvir vários instrumentos. Aquele momento ficou guardado para sempre e um dia vou compor lembrando daquele momento", relata.

Camila Gabriel diz que começou a compor bem nova. (FOTO: Divulgação)
O início
Victor lembra que seus pais contam que por volta dos cinco anos já ajudava o pai a compor, mas foi por volta de 10 anos que apresentou sua primeira composição 100% autoral em um evento na escola. "Fui me descobrir realmente um compositor dentro da escola. Pediram para fazer uma apresentação musical e eu toquei uma música minha e a escola inteira gostou. Meu orgulho é saber que eu posso tocar no coração de uma pessoa e essa uma pessoa se sentir completa através de uma composição de uma música escrita pelas minhas mãos".

Camila revela que se descobriu compositora ainda bem nova. "Por volta dos 8 anos já esboçava alguns versos, nada muito interessante, mas o suficiente para me deixar cada vez mais envolvida com este universo. Quando realmente entendi o sentido que envolve a articulação entre letra e música não parei mais, e já cheguei a compor mais de duas canções por dia, tamanho gosto e empolgação. Em compensação, já passei meses sem conseguir escrever uma linha sequer. A tal da inspiração faz toda diferença!", diz.

Desde muito cedo, Gabriela ficava sozinha brincando nos instrumentos, um piano da prima, um violão do pai, além de uma gaita e uma flauta. "Ficava brincando com esses instrumentos, criando melodias. Nem sabia tocar violão direito e inventei uma música para afinar o violão sem afinador. Era Nunca Deixe de Tocar Violão e aí eu consegui afinar o violão sem afinador. Devia ter uns 8 ou 9 anos desde o primeiro instrumento e eu já estava compondo", recorda a capixaba de Colatina.


Importância da data
O rapper afirma que não é um profissão fácil, mas que faz os compositores se sentiram realizados. "Creio que a maior importância do Dia do Compositor Brasileiro é se lembrar de grandes compositores brasileiros, mundiais e capixabas. E se lembrar do quanto essas pessoas se dão por algum motivo que não financeiro. Elas realmente querem falar algo e tem essa necessidade como ser humano. É o que elas conseguem dar de melhor para a sociedade", declara Victor Pooh.

A cantora de sertanejo de Ibatiba destaca que a data representa um importante passo em direção ao reconhecimento deste ofício que não é nada simples. "Música, hoje, é um dos produtos mais consumidos pelo mercado em todo o mundo, envolve inúmeras habilidades, e nem sempre valorizamos ou damos o verdadeiro crédito àqueles que se dedicam à criação deste tipo de trabalho artístico. Lembrar o papel do compositor é dar a ele o seu mérito, é também uma forma de honrar, agradecer e não deixar esquecer todo o bem que compartilha através da música", reitera Camila Gabriel.

Gabriela destaca a importância da data, mas lembra que outras funções na produção musical deveriam ser mais lembradas e valorizadas. "Acho que tem que expandir, pois cada faceta da produção merece ser homenageada. Porque todo mundo trabalha muito. É um trabalho muito árduo. Todo mundo tá na missão há muitos anos para conseguir fazer um trabalho bem feito. Muito importante o Dia do Compositor, mas também acho que deveria se estender para todas as outras funções que são exercidas dentro da música", finaliza.

Origem do Dia do Compositor Brasileiro
Essa data foi criada em 1948 pelo cantor e compositor Herivelto Martins (RJ), que integrou a União Brasileira dos Compositores (UBC) na década de 1940. Segundo sua filha, Yaçanã Martins, o pai foi grande incentivador da música brasileira e colaborou grandemente para a valorização dos músicos no país.

Com colaboração de Carol Merlo

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