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Jovem de Vitória supera transtorno mental e vence concurso nacional de pintura

Jhonata venceu concurso nacional de pintura. (FOTO: André Sobral/PMV)
Sensibilidade, autenticidade e criatividade. Com essa personalidade singular, o jovem Jhonata Cristiam Lopes de Jesus Trancoso, de 20 anos, não venceu apenas uma doença de transtorno mental, mas conquistou vários talentos artísticos: pintura, música, poesia e violão. Jhonata, que frequenta o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi), em Bento Ferreira, há três anos, já teve seu talento reconhecido nacionalmente. Ele foi um dos mais de 100 vencedores do VI Concurso Nacional de Pintura, Poesia e Desenho - Livro Arte de Viver "Valorizar Vidas Por Meio Da Arte", promovido pelo Instituto Lado a Lado Pela Vida - SP, na categoria "Pintura", com o trabalho "Invasão". 

O concurso selecionou trabalhos de pacientes com transtornos mentais, portadores de esquizofrenia e transtorno bipolar em todo o País e permitiu que eles desenvolvessem seus talentos como artistas plásticos e fizessem as suas próprias histórias no livro. As obras de Jhonata estarão expostas no Caps nesta sexta-feira (13), às 16 horas. O talento do jovem foi descoberto quando ele tinha 14 anos e sofria crises de ansiedade: "Dos meus 11 aos 13 anos de idade, eu tinha crises de ansiedade. Se eu bebesse muito café ou enérgico, minhas mãos e meu corpo começavam a suar e ficavam alterados. Jogava as cadeiras na sala, todos corriam e ninguém ficava perto de mim. Começava a chorar depois".

Ele lembra como foi o seu primeiro trabalho: "O meu primeiro poema foi com um trabalho na escola, aos 14 anos: 'Eu Sou'. Fiz porque as pessoas riam de mim e me julgavam sem me conhecer". Na ocasião, ele escreveu: "Mundo de palavras. Versos sem situação. Pessoas que querem dizer. Talvez não saibam. Ou não conseguem entender. Coisas da minha cabeça. Sei que sou humano. Que não tenho como você. Pois digo uma palavra. Não precisa ter significado para existir. Qualquer coisa é especial. Entretanto deve fazer com originalidade. Pois aquilo que vive da ideia dos outros. Ele não viveu".

Sentimentos
Em seus poemas, Jhonata contou que expressa seus sentimentos e sinceridade nas palavras: "Meus poemas têm partes filosóficas e românticas. São como um diário, retratando como foi meu dia e o que sinto. Busco ver as coisas além do que elas são. As coisas simples têm algo a mais. Eu procuro entender as coisas por trás. Sou sincero nos meus poemas, mas não por motivo de angústia, mas para as pessoas me conhecerem como sou".

Atendimento 
O Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi), o qual ele frequenta desde os 17 anos, realiza o acolhimento, tratamento e reinserção social de crianças e adolescentes moradores de Vitória com transtornos mentais. A assistência é realizada por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais especializados em diversas áreas da saúde e que prestam atendimento integrado. São médicos pediatras e psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, arteterapeuta, musicoterapeuta, técnico esportivo, técnicos e auxiliares de enfermagem e assistente administrativo assistindo os pacientes.

Jhonata elogiou o atendimento no espaço. "O Capsi foi o lugar onde busquei uma inspiração para aquilo que eu faço e expresso. Para tirar aquilo que está dentro de mim, seja algo ruim ou bom. Aqui consigo falar ou expressar o que eu sinto, o que eu sou e o que vivo e aprendi".

Equipe do Capsi ajudou na evolução do jovem e no reconhecimento de seu talento artístico. (FOTO: André Sobral/PMV)
Evolução
Assistente social do Capsi, Ailton Pereira disse que Jhonata é diferenciado. "Quando ele chegou aqui, era totalmente na dele. Mas com as nossas conversas, ele começou a falar da sua crise de ansiedade e mostrar seus talentos. Ele é uma bênção de Deus. Fez a diferença aqui dentro, pois avançou muito aqui em tão pouco tempo. É uma felicidade para nós ver como ele avançou". "O Jhonata sempre demostrou muito talento artístico, seja na pintura, no desenho ou na poesia. No Capsi, buscamos desenvolver a autonomia e sua reinserção social através do atendimento psicossocial para ajudar no tratamento mais eficaz", ressaltou a diretora do Capsi, Silvia Ávila Lobo Rodrigues. 

Ao todo, Jhonata já produziu 10 telas. Ele contou como se sentiu ao ser reconhecido com a oportunidade de publicar seu trabalho no livro. "Eu sinto que as pessoas vão me entender. Mas não sei se é ilusão da minha parte dizer que as pessoas irão entender de forma profunda aquilo que eu sou e o que sinto".

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