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My Magical Glowing Lens: mudança para Recife e formação só com mulheres

A banda My Magical Glowing Lens, da multi-instrumentista e produtora Gabriela Terra, faz show no próximo dia 26 de janeiro em Vitória - confira a agenda completa no fim da matéria, ao lado da banda Boogarins (GO).

E o OMMC conversou com a capixaba sobre as novidades nesse início de 2020, a começar pelo nome artístico da mesma.

Gabriela Terra durante show com a My Magical Glowing Lens em 2019. (FOTO: Gustavo Andrade/OMMC)
Gabriela falou ainda à respeito da mudança para Recife, capital de Pernambuco, onde teve show exibido até na TV aberta, e o primeiro show com banda completa desde a saída do Espírito Santo, em uma formação somente com mulheres capixabas.

Mudança no nome artístico
- A troca de nome veio quando descobri que eu ainda dava muito valor ao patriarcado, de maneira inconsciente, sabe? Por exemplo, escolhi o sobrenome de meu pai para assinar minhas produções, mesmo o sobrenome de minha mãe sendo muito fácil de falar e lindo.

Além disso, o sobrenome que trago de minha mãe é tão significativo quando temos em vista o momento que estamos vivendo de destruição irresponsável do planeta Terra. Então a troca representa também um engajamento com relação a preservação das riquezas naturais de nosso planeta.

A troca veio também para marcar minha mudança de gênero, veio tudo junto. Eu me descobri de gênero não-binário. Eu nunca conseguia assumir isso inteiramente, até que chegou o dia que saí do armário e assumi que não me reconheço como o gênero que me impuseram. Ainda não sei que gênero sou, só sei que não consigo me adaptar mais como do gênero feminino.

Foi muita transformação de uma vez só, por isso optei adotar o sobrenome de minha mãe em vez do de meu pai, para marcar tanto minha transformação de gênero quanto o reconhecimento de meu machismo e início de uma nova fase na minha vida.

Gabriela Terra na Praça do Marco Zero, um dos pontos turísticos da cidade de Recife. (FOTO: Márcio Mariano)
Moradia em Recife
- Fiz uma turnê em 2016 pelo Nordeste e me encantei pela região, principalmente por Recife. Quando voltei para lá em 2019, conheci pessoas maravilhosas que estavam muito engajadas em ajudar no meu projeto, pra muito além do dinheiro e da fama. 

Pessoas que curtiram minhas músicas mesmo, com mente, alma e coração e que tem uma vivência com a música para além das coisas materiais que isso pode proporcionar. Essas pessoas são Bruno Saraiva e Márcio Marciano. Eu me identifiquei muito com eles. E eles vêm de bandas instrumentais (Kalouv e Pupila Nervosa) e a MMGL tem muita parte instrumental.

Eles também gostam muito de improvisar no palco e têm uma energia muito próxima daquilo que busco na música. Então foi uma junção de fatores. Uma vontade de me mudar de Vitória (amo demais, mas já morava aí há mais de 10 anos... queria explorar novas perspetivas), identificação com a cultura e as pessoas no Nordeste e identificação com Bruno e Marcin.

Somente mulheres
- Vai ser minha primeira banda montada inteiramente por mulheres. Todas do Espírito Santo. E o primeiro show com banda desde que saí dai. Na bateria Maressa Machado; no sintetizador Thaysa Pizzolato; e no baixo Yasmin Nariyoshi.

Agenda da MMGL
- 19/jan (domingo) - show com Laure Briard (França) - Breve - São Paulo/SP
- 20/jan (segunda-feira) - oficina de produção musical caseira com Malka Julieta (SP) - Esponja - São Paulo/SP
- 21/jan (terça-feira) - live set - Presidenta Bar e Espaço Cultural - São Paulo/SP
- 26/jan (domingo) - show com Boogarins (GO) - Fluente - Vitória/ES

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