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Pinturas de Homero Massena são descobertas em Vila Velha

Obras do artista Homero Massena foram descobertas durante a restauração do museu que leva o nome do pintor, na Prainha, em Vila Velha. De acordo com informações da Prefeitura da cidade, as pinturas são do século XX, tendo figuras florais e outros desenhos, feitas sobre imitação de ladrilhos.

Pinturas de Homero Massena foram descobertas na restauração do museu. (FOTO: Fabrício Lima/PMVV)
O museu foi tombado no final da década de 1980 e é um dos patrimônios culturais da cidade canela-verde. O local está fechado para visitação devido à reforma e à pandemia da Covid-19, tendo sido construído aproximadamente na década de 1940. 

Hoje museu, o espaço foi a residência do escritor e pintor por muitos anos. Homero Massena mudou-se para a casa em 1951, aos 66 anos de idade. Foi neste endereço que o artista e sua esposa Adelina Massena, conhecida como Edy, viveram até o ano de 1974, ocasião da morte de Massena. 

Durante anos, devido às infiltrações, umidades, fissuras e rachaduras nas paredes, as pinturas sofreram perdas e a solução adotada na época foi cobri-las com argamassa e pintura lisa.

De acordo com o secretário interino de Cultura de Vila Velha, Peterson de Castro Cardoso, os turistas e munícipes ganharão um excelente presente com o restauro do museu Homero Massena. "Entregá-lo reformado e restaurado e ainda ter novas pinturas para apresentar para os visitantes sem dúvida é uma grande alegria", explicou ao portal da PMVV.

A previsão é de que as obras de restauro e reforma sejam concluídas até o mês de novembro. A reabertura do museu ao público deverá ocorrer após o período de pandemia.

O museu conta com um acervo de 2.170 peças, tais como pinturas sobre tela, cal e madeira; livros; recortes de jornais; documentos; objetos pessoais; e mobiliário. As pinturas estão conservadas em uma sala cedida pelo Exército no 38° Batalhão de Infantaria, na Prainha.

Catarina Zambe é restauradora e está atuando na obra do museu. (FOTO: Reprodução/Fabrício Christ/TV Gazeta)
Restauradores
O trabalho no museu está sendo feito pelo casal de restauradores Catarina Zambe e Ailton Costa, conhecido por Mineiro. "A descoberta dessas pinturas é de extrema importância, assim como as existentes, pois são traços do Homero Massena encontrados e estão diretamente ligadas à memória da casa", diz Catarina.

A restauradora destaca ainda que as pinturas já existentes não são afrescos. "Na técnica afresco o pigmento diluído no veículo agrega na argamassa colocada na parede ainda fresca. Ao passo que na técnica do Homero Massena, encontramos uma película de pintura sobre a argamassa", explica.

Homero Massena
O artista Homero Massena nasceu em Barbacena, Minas Gerais, em 04 de março de 1885. Filho de capixaba, aos seis meses de idade se mudou para Vila Velha com a família. 

Aos 15 anos descobriu a sua vocação artística e frequentou os cursos de pintura, urbanismo e decoração nas Escolas Nacionais de Belas-Artes do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também estudou pintura na Europa, na Academia Julian, em Paris, na França.

Antes de se tornar artista, estudou Odontologia no Rio de Janeiro, mas não permaneceu por muito tempo na profissão. Chegou a trabalhar como jornalista e redator nos jornais A Batalha, O País, Jornal do Comércio e A Tarde. Foi também prefeito da cidade de Bonfim, em Minas Gerais. 

Em 1951 foi convidado pelo governador do Espírito Santo, Jones dos Santos Neves, para inaugurar e dirigir a Escola de Belas-Artes do Estado e passou a morar na casa onde hoje está localizado um museu em sua memória. Escreveu dois livros intitulados Miracema e Atribulações de um Capixaba.

Homero Massena trouxe a técnica impressionista para o Espírito Santo e é o maior nome e referência para os artistas capixabas. Ele tinha um amor declarado por Vila Velha e dizia que "para se viver bem, tem que ser em Paris ou em Vila Velha", deixando bem clara sua paixão pelo município.

Além de Edy, o pintor foi casado com Cecília Massena, com quem teve três filhos. Faleceu em outubro de 1974, aos 89 anos.

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