Pular para o conteúdo principal

Iphan divulga política de proteção ao patrimônio quilombola no ES

Nos dias 11 e 12 de setembro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio da sua superintendência no Espírito Santo, realizou uma reunião de sensibilização patrimonial e de divulgação da Portaria nº 135/23 com a Comunidade Quilombola de Povoação do Rio Doce, em Linhares.

O encontro reuniu lideranças locais e moradores da região, que tiveram a oportunidade de conhecer melhor a política do Instituto para reconhecimento e proteção de quilombos, cujo principal instrumento é a Portaria nº 135, que regulamenta o procedimento para tombamento de documentos e sítios detentores de reminiscências históricas de quilombos no País.

Encontro com lideranças locais e moradores em Povoação do Rio Doce. (FOTO: Divulgação/Superintendência Iphan-ES)
Desde abril de 2024, a superintendência vem promovendo encontros desse tipo em diferentes comunidades quilombolas do estado, com o objetivo de ampliar o diálogo com a base social comunitária, esclarecer dúvidas e estimular a reflexão sobre a pertinência do tombamento em cada realidade local.  

As atividades são organizadas em parceria com as lideranças comunitárias, responsáveis por definir a logística e mobilizar a população. Nos encontros, a equipe técnica conduz uma roda de conversa sobre os princípios, a documentação necessária e os benefícios da política, além de distribuir cópias da Portaria nº 135, formulários de requerimento e folhetos sobre o patrimônio cultural do Estado.

Até o momento, nove comunidades já foram contempladas: Linharinho, Córrego da Angélica, Santa Luzia, Alto Iguape, São Cristóvão, Cacimbinha e Boa Esperança, Morro da Onça, Araçatiba e Linhares.

Dessas, Córrego da Angélica e Araçatiba ainda não possuem certificação da Fundação Cultural Palmares, enquanto as demais já são oficialmente reconhecidas como comunidades quilombolas.

Sede da Associação Cultural e Folclórica de Povoação. (FOTO: Divulgação/Iphan)
Nos encontros, os quilombolas têm aproveitado para expor dúvidas e demandas que refletem suas principais prioridades. Para o historiador e técnico do Iphan Filipe Oliveira, essas reuniões têm um papel fundamental de aproximação e escuta ativa da população beneficiada por essa política pública. 

“Muitos querem entender de que forma o tombamento pode se traduzir em benefícios concretos, quais documentos precisam apresentar e como essa política pode reforçar o reconhecimento de suas práticas culturais e garantir direitos”, avaliou o historiador.  

Segundo ele, além dessas questões, as comunidades também manifestam preocupações do dia a dia, como a precariedade das estradas, a contaminação de rios e solos por agrotóxicos e os conflitos fundiários, por exemplo. Cabe aos técnicos do Iphan não apenas esclarecer e orientar, mas também levar essas demandas ao debate público mais amplo. 

As próximas reuniões estão previstas para as comunidades de Pedra Branca, no dia 18 de outubro, e Córrego Santa Izabel, com data ainda a ser confirmada. 

Quilombos
O Espírito Santo tem 15.652 habitantes quilombolas, segundo o Censo do IBGE de 2022. Desses, 39 grupos já foram certificados pela Fundação Cultural Palmares, número que ainda não contempla todas as comunidades organizadas no Estado.

A maior concentração está no Sapê do Norte, entre São Mateus e Conceição da Barra, área que recebeu, em 2008, um Inventário Nacional de Referências Culturais, elaborado pelo Iphan em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 

Além do Sapê do Norte, os quilombos também se destacam no Vale do Rio Itapemirim e em áreas das regiões metropolitana e serrana, como o Quilombo de Retiro, em Santa Leopoldina. 

Comentários

Mais lidas

Colunas Cultura Plural

9ª Mostra Sesc de Cinema está com inscrições abertas até dia 31

Alunos da rede pública de Vitória retratam direitos das crianças e adolescentes em mural artístico