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Em busca de reconhecimento: Cantores e músicos capixabas buscam destaque no cenário local e nacional

Novos cantores e músicos do Espírito Santo tem tido gradativo crescimento e boa aceitação do público no cenário local e até nacional. Tem sido destacado trabalhos autorais bem produzidos, com números expressivos de visualizações através da internet, levando os mesmos a serem atrações em outras regiões do Brasil. Casos recentes dos grupos Solveris e Melanina MCs, dos cantores Óscar MC, Gabriela Brown, André Prando e Gavi, além da banda My Magical Glowing Lens. Uma mistura de sonoridade da música capixaba, com rap, com rock, com pop e com soul, que objetiva valorizar a própria cultura, falar da realidade, do cotidiano e da identidade capixaba.

Óscar MC foi integrante do grupo 5º Álibi e agora está em carreira solo. Este mês ele pretende lançar uma nova música. (FOTO: Gustavo Andrade/OMMC)
Muito antes, nos anos 60 e 70, o grupo Os Mamíferos foi o primeiro a apresentar de fato uma produção autoral capixaba, no período conhecido como Tropicália, ou contracultura na Música Popular Brasileira (MPB), com letras poéticas e provocativas. O grupo, juntamente com os festivais capixabas de MPB, entre 1968 e 1971, colocou o Estado no mapa da música autoral brasileira.

A vocalista da My Magical Glowing Lens, Gabriela Deptulski, afirma que no caso da banda, que teve início apenas com a jovem, o reconhecimento hoje é ainda maior fora do Estado do que em terras capixabas e destaca os possíveis motivos. “Sinto que tenho um reconhecimento maior fora do que no próprio Estado. Acredito que demorou para a galera reconhecer meu trabalho dentro do ES porque faço de maneira muito independente e acumulo funções dentro do meu próprio projeto”, considera Gabriela.

Segundo Gabriela, se não fosse as possibilidades da internet, a banda de rock psicodélico literalmente não existiria, pois o primeiro EP foi todo gravado em um computador. “Se não fosse a internet, a My Magical nunca teria existido. Quando gravei sozinha aquele primeiro EP e lancei na internet, começou a sair na mídia e meus amigos começaram a ver que o trabalho era realmente sério”, conta.

Gabriela Deptulski diz que a My Magical Glowing Lens tem maior reconhecimento fora do ES. (FOTO: Gustavo Andrade/OMMC)
Quem também ainda está caminhando em busca de novas oportunidades e futuramente a estabilidade na carreira musical é o cantor de rap Wendel Avelar, o Óscar MC, ex-integrante do grupo 5º Álibi, e que agora em carreira solo está prestes a lançar um novo trabalho. Segundo ele, a qualidade dos trabalhos produzidos no Espírito Santo é de grande originalidade, mas a música local acaba sendo prejudicada pela falta de recursos financeiros. “No público do rap, grande parte da galera é de periferia e está no início dos trabalhos, então não se tem recursos para custear gravações e produção de um CD”, afirma Óscar.

Mas de acordo com Óscar MC, a situação não impediu que na época do 5º Álibi, o grupo não tenha tido oportunidades de desenvolver o trabalho pelo Estado em diferentes circunstâncias. “Fomos convidados a se apresentar no CEET Vasco Coutinho, em Vila Velha, na turma do curso de moda, num projeto social em Jardim Carapina, em Serra. A galera do coletivo Periferia Resiste organizou o evento, onde apresentamos um pouco da cultura para a criançada. Estivemos também nas ocupações das escolas”, relembra.

Para Jone BL, que é produtor musical dos grupos Solveris e Melanina MCs, o cenário atual da música capixaba é positivo e que é preciso ter persistência para se realizar bons trabalhos. “O cenário do Estado tem crescido bastante atualmente em todos os sentidos, tem aparecido bons MCs, grupos, produtoras e selos, trazendo trabalhos de alta qualidade para o ES. O sucesso vem decorrente de um bom trabalho. Procurar sempre pela qualidade, conta com uma boa equipe e ter muita persistência, porque não é fácil viver da arte no nosso Estado”, garante.

Jone BL ainda destaca que detalhes podem levar os artistas da música ao destaque. “Os detalhes de alguns trabalhos são resultado de trabalho pesado. Bons profissionais da área, criando e coproduzindo materiais de qualidade para assim ter um bom destaque tanto estadual como nacional”, finaliza o produtor.

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