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Ofício das Paneleiras de Goiabeiras é tema de ciclo de oficinas no ES

Entre os dias 25 e 27 de junho, aconteceu o primeiro ciclo de oficinas de transmissão de saberes do projeto “Memória do Barro - Paneleiras”, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Álvaro de Castro Mattos, no bairro Jardim da Penha, em Vitória.

Crianças que participaram das oficinas. (FOTO: Divulgação/Superintendência do Iphan no Espírito Santo)
A iniciativa foi aprovada no Edital de Chamamento Público Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As oficinas foram ministradas por mestras paneleiras de Goiabeiras, que compartilharam seus saberes com aproximadamente 131 alunos, em cinco encontros realizados nos turnos da manhã e da tarde. Representantes da Superintendência do Iphan no Espírito Santo acompanharam as ações. 

A programação incluiu exibição de filmes, roda de conversa, contação de histórias e modelagem de panelas de barro, que reforçaram a importância da transmissão de saberes tradicionais entre gerações.

O projeto é realizado pelo Instituto Marlin Azul, em parceria com a Associação das Paneleiras de Goiabeiras, e conta com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) - Campus Vitória.

Crianças que participaram das oficinas. (FOTO: Divulgação/Superintendência do Iphan no Espírito Santo)
O projeto prevê, de junho a novembro, a realização de 30 oficinas gratuitas, voltadas a estudantes de escolas públicas e instituições sociais, incluindo turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e organizações não governamentais. A expectativa é atender até 900 participantes e envolver cerca de 60 paneleiras e artesãos.

Segundo o historiador e assistente técnico do Iphan, Marcelo da Silva Murilo, as oficinas de transmissão de saberes são extremamente importantes no contexto educativo por promoverem uma aprendizagem mais ativa, prática e colaborativa, rompendo com o modelo tradicional de ensino focado apenas na transmissão unilateral de conteúdo.  

"Essas ações criam um ambiente dinâmico por meio do favorecimento de uma experiência mais engajadora, participativa e significativa. Elas extrapolam a simples aquisição de informações; constituem espaços de diálogo, troca de experiências e partilha", concluiu o historiador.

O segundo ciclo de oficinas já está em fase de planejamento, com previsão de ser realizado até o final de julho. Além dos encontros presenciais, o projeto também prevê o lançamento de um site.

“O portal será um espaço de memória e referência, com relatos, fotos, vídeos, entrevistas, curiosidades e contatos, no qual o público poderá conhecer melhor os jeitos de ser e fazer dessas mestras que mantêm o ofício das Paneleiras há mais de 400 anos”, disse a representante do Instituto Marlin Azul, Beatriz Lindenberg.  

O saber tradicional das Paneleiras de Goiabeiras foi o primeiro bem cultural registrado no Livro de Registro dos Saberes do Iphan, em 2002, como Patrimônio Cultural do Brasil.  

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