Desde abril, estudantes de escolas da rede pública municipal e estadual de Cariacica revelam o seu olhar sobre a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) em diferentes formas artísticas, criando, expressando e documentando a memória e segurança ferroviária capixaba com sua própria voz.
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| Oficina formativa do Projeto Viagem Capixaba. (FOTO: Dimas de Sant) |
Uma iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), viabilizada por meio dos Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), com realização do Instituto Com.Chá, em articulação e parceria com a Vale, o Projeto Viagem Capixaba compreende a realização de 100 oficinas formativas ao longo do ano de 2026, voltadas para estudantes de escolas públicas localizadas próximas à ferrovia.
Na semana passada, alunos da escola cívico-militar CM Dr. Afonso Schwab, localizada em Jardim América, tiveram a oportunidade de assimilar conhecimentos sobre música e comunicação nas oficinas de Composição Musical e de Podcast.
Cada oficina tem 20 horas de imersão e compreende cinco dias de protagonismo colaborativo dos estudantes, por meio de experiências práticas e criações coletivas repletas de significado.
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| Oficina formativa do Projeto Viagem Capixaba. (FOTO: Dimas de Sant) |
Composição musical
No final das oficinas, cada turma leva um certificado e deixa para o mundo uma produção genuinamente autoral e coletiva que retrata o olhar dos participantes sobre o vínculo entre as comunidades do entorno e a ferrovia. É o caso de Beatriz de Oliveira Santos e Beatriz Alves Gonçalves, de 12 anos, que integram a turma do 7ª ano.
Elas ficaram empolgadas com a oficina de Composição Musical, apresentada pelas musicistas Brenda Nayra e Dani Nogueira, e que teve como registro a gravação de uma música inédita composta pelos próprios alunos.
“A música tem um ritmo mais calmo, estilo MPB, e a letra fala sobre um adolescente que vê o trem passando pela janela da sua casa e sonha em fazer uma viagem de trem”, afirma Beatriz Santos.
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| Beatriz de Oliveira Santos e Beatriz Alves Gonçalves, alunas da oficina de Composição Musical. (FOTO: Divulgação) |
Já a turma do 9º ano optou por compor um samba recheado de poesia e saudade, intitulado “Trem da Despedida”. Maria Eduarda de Souza Carvalho, de 15 anos, e Elloá Teixeira Alcântara, 14, participaram ativamente da criação musical: Maria, cantando; e Elloá, na produção e composição da letra.
“A letra tem metáforas, com elementos sobre o capitalismo, as comunidades que ficam próximas da ferrovia e os problemas do cotidiano”, descreve Elloá.
Na mesma semana, outra turma do 7º ano aprendeu o passo a passo para a produção de um podcast em uma oficina comandada pela escritora Aline Dias e o produtor musical Marcelo Shimu.
As oficinas de Podcast geram episódios com duração de até 15 minutos, que são disponibilizados gratuitamente em plataforma digital de áudio e no perfil oficial no Instagram.
A estudante Alice Nascimento Patrício, 13 anos, participou da construção do texto do podcast e também deu a ideia para o título do episódio: “Parto ferroviário”.
A narrativa é baseada na história fictícia de uma adolescente de 16 anos que tem uma gravidez precoce e dá à luz durante uma viagem de trem.
“Depois da experiência de participar da oficina passei a ter mais orgulho da região onde moro. Inclusive me ofereci para fazer o papel da médica que ajuda a personagem principal a ganhar o bebê”, revela Alice, que não vê a hora de viajar de trem pela primeira vez: “Estou ansiosa, nunca tive essa experiência”.
Ao mesmo tempo em que a Estrada de Ferro Vitória a Minas está ligada ao desenvolvimento econômico das localidades por onde passa, sua presença também traz desafios relacionados à convivência cotidiana, à mobilidade urbana e, principalmente, à segurança nas áreas próximas aos trilhos.
Para a coordenadora do Projeto Viagem Capixaba, Carolina Castilholi, a iniciativa visa ampliar o diálogo sobre segurança ferroviária, estimulando práticas de cuidado coletivo e também de preservação individual, de modo que moradores, estudantes e usuários do território possam compreender melhor os riscos e as responsabilidades envolvidas na convivência com a ferrovia.
“Promover esse conhecimento contribui para fortalecer a autonomia dos participantes e incentivar atitudes mais conscientes no cotidiano”, destaca a coordenadora.
Onde ouvir as produções dos participantes do Viagem Capixaba:
Números do Projeto Viagem Capixaba:
- Duração de 4 anos em ciclos anuais
- 39 oficinas realizadas até agosto de 2026
- Total de 100 oficinas formativas previstas para o ano de 2026
- 8 viagens de trem realizadas até agosto de 2026, partindo da Estação Pedro Nolasco
- 17 viagens culturais de trem para o trecho entre Cariacica e Serra, previstas até o fim do ano
- 1070 participantes até agosto de 2026
- Produção de acervo imaterial vivo, contemplando até 10.200 participantes ao longo dos quatro anos







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