Dia Mundial do Livro: mercado supera R$ 3 bilhões no Brasil e acende alerta sobre formação de leitores
O Dia Mundial do Livro será comemorado na próxima quinta-feira (23), e ao mesmo tempo em que o setor cresce em faturamento e vendas, o País enfrenta desafios estruturais na formação de leitores.
Dados recentes da Nielsen BookScan Brasil, divulgados em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), mostram que o varejo de livros no Brasil manteve trajetória positiva em 2025, com crescimento de 7,75% em volume e 8,68% em faturamento, somando mais de 60,3 milhões de exemplares vendidos e receita superior a R$ 3,09 bilhões.
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| Livros em biblioteca: Brasil já reúne mais de 54 mil empresas ligadas ao setor editorial e livreiro. (FOTO: Divulgação/Sesc) |
Além disso, estudo inédito da Câmara Brasileira do Livro (CBL) aponta a dimensão da cadeia produtiva. O Brasil já reúne mais de 54 mil empresas ligadas ao setor editorial e livreiro, responsáveis por cerca de 70 mil empregos diretos no País, reforçando o impacto econômico da indústria do livro.
Apesar dos números positivos, o desafio da leitura permanece. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, mostram que uma parcela significativa da população brasileira ainda não mantém o hábito regular de leitura, o que limita o potencial de crescimento do mercado no longo prazo.
“Não existe mercado editorial forte sem leitores. O crescimento que vemos hoje é importante, mas ele só será sustentável se o Brasil formar novas gerações de leitores. Isso começa na base, com educação, acesso e estímulo dentro e fora da escola”, afirma Anderson Cavalcante, CEO da Buzz Editora.
| Anderson Cavalcante: formação de pensamento crítico e desenvolvimento profissional. (FOTO: Divulgação/Assessoria) |
Para Cavalcante, o livro deixou de ser apenas um produto cultural e passou a ocupar um papel estratégico na formação de pensamento crítico, desenvolvimento profissional e construção de repertório, aspectos cada vez mais valorizados em um mercado de trabalho em transformação.
“O livro é uma ferramenta de desenvolvimento humano. Em um mundo cada vez mais competitivo e dinâmico, quem lê mais tem mais repertório, mais capacidade de análise e melhores condições de tomar decisões. Formar leitores é investir no futuro econômico e social do país”, completa.
No cenário global, estimativas de consultorias como a Grand View Research apontam que o mercado editorial mundial movimentou cerca de US$ 156,5 bilhões em 2025 e deve ultrapassar US$ 162 bilhões em 2026, mantendo ritmo de crescimento impulsionado por novos formatos e pela expansão do consumo digital.
O Dia Mundial do Livro se consolida não apenas como uma data comemorativa, mas como um ponto de reflexão sobre o papel da leitura no desenvolvimento do país, e sobre a necessidade de transformar crescimento em acesso e formação.
“Se quisermos um mercado editorial mais forte, precisamos, antes de tudo, de um país de leitores. Esse é o verdadeiro legado que o livro pode deixar”, conclui.



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