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Novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) quer ampliar leitores no Brasil até 2036

Na data em que o mundo celebra o poder transformador dos livros  esta quinta-feira (23), o Brasil dá um novo passo para ampliar o acesso à leitura.

Em uma ação conjunta, o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério da Educação (MEC) assinam a portaria interministerial que institui o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para o período de 2026 a 2036.

Livros de literatura brasileira em biblioteca. (FOTO: Paulo Pinto/Agência Brasil)
O evento será às 17 horas, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, e contará com a presença do presidente Lula, do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

O gesto renova uma política pública iniciada em 2006, no governo do presidente Lula, e reafirma o compromisso do país com a formação de leitores e com o direito à palavra.

O PNLL ingressa em seu novo ciclo de 10 anos com o desafio renovado de consolidar o livro, a leitura e a escrita como bens essenciais da população brasileira. 

Ao longo de sua trajetória, o plano se estabeleceu como uma verdadeira Política de Estado, transcendendo gestões passageiras para se tornar um pacto social profundo, construído a muitas mãos por educadores, escritores, bibliotecários e sociedade civil desde sua gênese em 2004.

Esta nova etapa reafirma a leitura não apenas como uma ferramenta funcional de alfabetização, mas como uma experiência de construção de sentidos e um pilar de sustentação para a própria democracia.

A ministra Margareth Menezes. (FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil)
Como bem define a ministra da Cultura, Margareth Menezes, essa política é o reflexo de um compromisso histórico com a emancipação do cidadão, pois, em suas palavras, a fundamental parceria entre o Ministério da Cultura e da Educação tem trazido resultados históricos.

“Com o novo PNLL, estamos fortalecendo nosso Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas para que ele se nutra de acervos que respeitem e promovam nossa imensa bibliodiversidade. Nosso compromisso é garantir que o livro chegue a cada canto do país, reafirmando a leitura como um pilar de soberania e de combate às desigualdades”.

O impacto real do PNLL na vida dos brasileiros é mensurável através de transformações concretas no território nacional.

Desde a instituição do plano, o Brasil empreendeu um esforço monumental para zerar o déficit de municípios sem bibliotecas públicas, convertendo o que antes eram depósitos de livros em centros vibrantes de convivência, inovação tecnológica e educação continuada.

Ambição é elevar o percentual de leitores de 47% para 55% da população até 2035. (FOTO: Alexander Wende/Unsplash)
Índice de leitura
Historicamente, as ações coordenadas permitiram que o índice nacional de leitura saltasse de modestos 1,8 livro por habitante ao ano para o patamar de 4,7 livros em seus ciclos iniciais de maior mobilização.

No novo ciclo que se inicia, a ambição é elevar o percentual de leitores de 47% para 55% da população até 2035, com foco na redução do custo do livro e na expansão de livrarias no interior do País.

A ministra Margareth Menezes reitera que o investimento no intelecto é a melhor defesa para o futuro.

“O PNLL é uma realidade ativada pela sociedade e pelos governos. O livro e a leitura são vacinas contra a desinformação e contra a deterioração intelectual que o consumo superficial de conteúdos digitais pode causar. Ao investir em políticas públicas que protejam o acesso ao conhecimento, estamos construindo um Brasil com mais dignidade para todos e todas”, afirma.

Eixos programáticos
Estruturado em quatro eixos estratégicos — Democratização do acesso, Fomento à leitura e Formação de mediadores, Valorização institucional e Desenvolvimento da economia do livro — o PNLL 2026-2035 inova ao trazer o direito à escrita criativa como uma prática central.

A ideia é que o cidadão seja um produtor de cultura, especialmente em territórios periféricos, quilombolas e indígenas.

O secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, destaca que o plano funciona como um parâmetro fundamental para converter o desafio de formar uma nação leitora em metas palpáveis.

“O PNLL é a nossa bússola estratégica. Ele estabelece diretrizes que nos permitem ocupar as praças, as escolas e as bibliotecas com uma agenda que coloca o livro na ‘cesta básica’ do brasileiro. A inclusão da escrita criativa e literária como um direito neste novo ciclo demonstra nossa maturidade em compreender o livro como um processo vital de produção de cidadania e de reinvenção do próprio mundo”.

Além do fortalecimento da cadeia produtiva, que visa apoiar pequenas editoras e livrarias independentes, o plano dedica atenção especial à acessibilidade plena.

A meta é que todas as bibliotecas e espaços de leitura disponham de acervos em braille, libras e audiolivros, garantindo que neurodivergentes e pessoas com deficiência física ou sensorial exerçam plenamente seu direito à literatura.

Essa visão inclusiva também permite ao PNLL atuar em espaços não convencionais, como unidades prisionais e hospitais, onde a leitura atua como um instrumento de humanização e remição de pena.

Encerrando sua reflexão sobre os desafios e o potencial da política, Fabiano Piúba pontua que a mobilização social é o que garante a perenidade dessas conquistas:

“O futuro do PNLL está no presente e na nossa capacidade de mobilização permanente nas ruas e nas instâncias de poder. Precisamos tornar a leitura visível na agenda política e social, pois estaremos fadados ao fracasso econômico se não ampliarmos o domínio da escrita entre nossos cidadãos. O PNLL, institucionalizado por lei e fundos setoriais, é o que assegura que o Brasil siga sua rota rumo à cidadania plena”.

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